Neste mês de maio, em que estamos refletindo sobre Empoderamento Feminino, trazemos para vocês 15 mulheres brasileiras que fizeram história!

Você conhece todas elas? Quer acrescentar mais alguma? Deixe aqui nos comentários!

Clara Camarão (Séc. XVII)

Clara Camarão foi uma das primeiras guerreiras do Brasil. Ela nasceu no Rio Grande do Norte e recebeu o nome Maria Clara dos padres jesuítas. Seu marido, o indígena Poti, também foi batizado e catequizado pelos religiosos e ficou conhecido como Antônio Felipe Camarão.

Montada em seu cavalo, com espada em punho, Clara acompanhou Felipe no combate aos holandeses em diversas batalhas. Sua primeira missão oficial, liderando um grupo de mulheres, foi a escolta de famílias que buscaram refúgio na cidade alagoana de Porto Calvo, na década de 1630. Em 1646, quando os holandeses souberam que as tropas lideradas por Felipe Camarão tinham sido convocadas para proteger Salvador, tentaram invadir o povoado de Tejucupapo (atualmente um distrito de Goiana, em Pernambuco).

Ali, encontraram uma forte resistência feminina. Com arcos, tacapes, lanças, muita força e excelente pontaria, a tropa de Clara Camarão ainda tinha uma arma inesperada: tonéis de água fervente com pimenta! Levado pelo vento, o vapor desnorteou o exército holandês. Os homens foram vencidos pelas guerreiras, que foram convocadas para um dos maiores confrontos contra os holandeses, a primeira Batalha dos Guararapes (1648).

A impressionante tropa que Clara liderou ficou conhecida como “As Heroínas do Tejucupapo”.

Dandara (? – 1694)

A história de Dandara é rodeada de mistérios; não se sabe se nasceu no Brasil ou na África, mas é reconhecida por dominar técnicas da capoeira e lutar ao lado de homens e mulheres nos muitos ataques ao Quilombo dos Palmares, estabelecido no século XVII na Serra da Barriga, onde hoje é o estado de Alagoas. Era esposa de Zumbi, o líder do Quilombo, e lutou ao lado dele pela libertação dos negros no período colonial. Suicidou-se em 1694, junto com vários outros quilombolas, durante a tomada de Palmares.

Tereza de Benguela (? – 1770)

Não se sabe quando Tereza nasceu, nem onde, se no Brasil ou em Angola. Era mulher de José Piolho, líder e fundador do Quilombo do Quariterê, localizado na Vila Bela da Santíssima Trindade, onde hoje é o Estado do Mato Grosso.

Em 1750, José Piolho morreu e Tereza assumou a liderança do quilombo. Governava junto a um conselho e protegia seus domínios com unhas, dentes e armas, reforçando as defesas do quilombo com armamento adquirido a partir de trocas ou tomado de quem era derrotado em conflitos. O quilombo era próspero, com produção agrícola muito farta, e o excedente era trocado na vila por outras mercadorias. Chegou a ter uma população de 300 pessoas, incluindo índios e mestiços. O quilombo foi conquistado em 1770, com Rainha Tereza sendo capturada e morrendo dias depois, na prisão. Em 2014, o dia 25 de julho tornou-se Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Chica da Silva (1732-1796)

Francisca nasceu no que hoje é a cidade de Diamantina (MG). Sua mãe era escrava e seu pai, um militar português, que as abandonou e não concedeu alforria. Foi escrava de um médico, com quem teve um filho, e depois é comprada pelo contratador João Fernandes. Os dois se apaixonam, passam a viver juntos e ele a liberta. Tiveram 13 filhos.

Chica da Silva tornou-se poderosa e rica, mas não era totalmente aceita pela sociedade. João Fernandes voltou para Portugal em 1770 levando seus filhos homens e morreu nove anos depois. Chica da Silva continuou administrando os bens do companheiro, vindo a falecer em 1796.

Luísa Mahin (Séc. XIX)

Não se sabe se Luísa nasceu na Costa da Mina, na África, ou na Bahia. Membro do povo maí, comprou sua alforria em 1812 e tornou-se quituteira em Salvador. Teve um filho, o poeta e abolicionista Luís Gama. Luísa esteve envolvida na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX. De seu tabuleiro, eram distribuídas mensagens em árabe.

Luísa foi perseguida, indo para o Rio de Janeiro, onde foi encontrada, detida e, possivelmente, deportada para Angola. Não existe, no entanto, nenhum documento que comprove essa informação. Alguns autores acreditam que ela tenha conseguido fugir para o Maranhão, onde influenciou no desenvolvimento do com sua influência no desenvolvimento do tambor de crioula.

Maria Quitéria (1792-1853)

Maria Quitéria nasceu numa fazenda perto de Feira de Santana (BA) e perdeu a mãe aos 10 anos. Quando todos os homens foram convocados para lutar no processo de independência do Brasil, Maria pediu ao pai para se unir ao regimento do Príncipe-Regente.

Com a proibição do pai, que só tinha filhas mulheres, Maria foge de casa e se transforma no soldado Medeiros, que se destaca no manejo de armas e se torna respeitada. O pai descobre seu disfarce, mas diante da intervenção do major do Batalhão dos Voluntários do Príncipe, ele concede sua permissão para que Maria permaneça junto às tropas.

Maria Quitéria se torna a primeira mulher a integrar as forças regulares no Brasil e participa de várias batalhas contra as tropas portuguesas. Foi condecorada com a Ordem Imperial do Cruzeiro, pelo Imperador Dom Pedro I. Casou-se, teve uma filha e faleceu em Salvador.

Anita Garibaldi (1821-1849)

Anita Ribeiro de Jesus nasceu em Morrinhos, atual Laguna (SC). Ela se casou aos 14 anos, mas se separou do marido. Em 1839, conheceu Giuseppe Garibaldi, um marinheiro mercante que fugia de uma sentença de morte na Itália. Anita e Giuseppe lutam ao lado dos rebeldes gaúchos e catarinenses em guerra contra o governo imperial, na Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos.

Depois seguiram para o Uruguai, onde lutariam contra o ditador argentino Juan Manuel Rosas. Em 1847, Anita Garibaldi vai para Itália saber se o marido poderia retornar ao país. No anos seguinte, Giuseppe se junta a Anita e ambos lutam pela unificação italiana, tentando expulsar os austríacos da região da Lombardia. Durante esta campanha, Anita, conhecida como Heroína dos Dois Mundos, adoece e vem a falecer.

Ana Néri (1814-1880)

Baiana, Ana se casou com um militar e ficou viúva aos 29 anos, tendo criado sozinha os três filhos. Quando os filhos foram convocados para a Guerra do Paraguai, ela escreveu uma carta ao presidente da província se voluntariando para servir como enfermeira no conflito. Aceita, Ana se mudou para o sul do país e aprendeu tudo o que podia sobre enfermagem. Com seus próprios recursos, criou uma enfermaria em Assunção, no Paraguai. Foi nesta cidade que perdeu um dos seus filhos. Em seu retorno, foi condecorada e recebeu homenagens do imperador D.Pedro II. O Dia do Enfermeiro é celebrado no dia da morte de Ana Néri, 20 de maio.

Nísia Floresta (1810-1885)

Nascida em Papari, no Rio Grande do Norte, Nísia é considerada a primeira feminista brasileira. Em 1832, escreveu o mítico livro “Direitos das mulheres e injustiça dos homens”, considerada a primeira obra feminista do Brasil. Tambem é autora de importantes livros em defesa dos índios e da abolição da escravatura, e uma das primeiras mulheres a publicar textos em jornais. Viajou o país defendendo a alfabetização das mulheres e chegou a fundar colégios para meninas no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Em 1948, o município de Papari passou a se chamar Nísia Floresta.

Tia Ciata (1854-1924)

Hilária Batista de Almeida, a tia Ciata, nasceu em Santo Amaro, na Bahia, e desde cedo participava de manifestações culturais e religiosas originárias da África. Aos 22 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, fugindo da perseguição aos praticantes do candomblé em Salvador, com uma filha pequena e o samba-de-roda. No Rio, se casou com o funcionário público João Batista da Silva, com quem teve 14 filhos, e se tornou uma mãe-de-santo muito respeitada – era Ciata de Oxum, mais conhecida como Tia Ciata.

Sua casa estava sempre cheia, com pessoas que vinham saborear comida baiana e curtir uma boa batucada – que já era o samba carioca. Grandes compositores frequentavam sua casa. Foi uma grande promotora da cultura negra e das tradições africanas no Rio de Janeiro. O primeiro samba gravado no Brasil (“Pelo Telefone”, de Donga) foi composto na casa de Tia Ciata, em 1917. Morreu em 1924, antes de o samba ser legalizado.

Chiquinha Gonzaga (1847-1935)

Chiquinha foi a primeira mulher regente no Brasil. Compositora e pianista, é autora da primeira marchinha de carnaval da história: “Ó Abre Alas”, composta em 1899. Filha de mãe mestiça e pai branco e militar, Chiquinha se casa aos 16 anos, mas se divorcia porque o marido não concorda com sua carreira musical, um escândalo na época. Se separou também do segundo marido, sendo afastada de três de seus filhos nestes divórcios. Compôs mais de 2 mil músicas e lutou contra a monarquia e em favor da abolição da escravatura. O Dia Nacional da Música Popular Brasileira é comemorado na data em que ela nasceu, 17 de outubro.

Bertha Lutz (1894-1976)

Bertha Lutz nasceu no Rio de Janeiro e estudou na Sorbonne, em Paris, onde conheceu o feminismo. De volta ao Brasil, em 1918, trabalha como tradutora no Instituto Oswaldo Cruz junto ao seu pai, o zoólogo Adolfo Lutz.

Bertha foi a segunda mulher a prestar concurso público no Brasil, mas sua inscrição só foi aceita após uma batalha judicial. Foi aprovada e ingressou como secretária do Museu Nacional, instituição da qual se tornaria diretora. Ela também desenvolveu um importantíssimo trabalho como educadora e foi uma das responsáveis pela aprovação do ingresso de meninas no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro.

Em 1928, ingressou na Faculdade de Direito, da Universidade do Brasil, e lutou pela conquista do voto feminino. Em 1935 foi eleita para suplente de deputada, cargo que assume em 1936, mas termina com o golpe de Estado de 1937. Voltou a dedicar à ciência, organizando o acervo do pai no Instituto Oswaldo Cruz.

Em 2001, foi instituído pelo Senado brasileiro o Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz, que tem como objetivo homenagear anualmente cinco mulheres que tenham se destacado na luta dos direitos femininos no Brasil.

Lélia Gonzales (1935-1994)

Professora, filósofa e antropóloga, Lélia Gonzalez foi uma das principais feministas brasileiras e uma das primeiras a apontar as relações entre gênero, raça e classe social. Lélia explicitou como as desigualdades sociais e o machismo atingem de modo ainda mais cruel as mulheres negras, destacando inclusive os impactos sobre sua saúde mental. Criticava os lugares reservados aos negros na sociedade e explicava a importância de eles mesmos falarem sobre sua condição. Também destacava como os negros foram fundamentais para a construção da cultura brasileira.

Nascida em Belo Horizonte, se mudou com a família para o Rio de Janeiro ainda criança e chegou a trabalhar como babá. Fez graduação em História e Filosofia, mestrado em Comunicação Social e doutorado em Antropologia Social. Tornou-se professora, chefiou o departamento de Sociologia e Política da PUC-RJ e ajudou a fundar diversas instituições.

Ruth de Souza (1921-2019)

Ruth é considerada a primeira dama negra do teatro, cinema e televisão do Brasil, e também foi a primeira artista brasileira a ser indicada ao prêmio de melhor atriz em um festival internacional de cinema, por Sinhá Moça, no Festival de Veneza de 1954.

Ruth de Souza nasceu no subúrbio carioca, no bairro do Engenho de Dentro, viveu até os nove anos em Minas Gerais, e com a morte do pai, ela e a mãe voltaram a morar no Rio, em uma vila no bairro de Copacabana. Entrou em 1945 para o grupo Teatro Experimental do Negro (TEN), liderado por Abdias do Nascimento, sendo o primeiro grupo de teatro negro a subir ao palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro com a peça O Imperador Jones, de Eugênio O’Neill. Ruth interpretou a Mulher Nativa, a única personagem feminina da peça. Ao longo da carreira, atuou em mais de 20 filmes e 30 novelas.

Marielle Franco (1979-2018)

Marielle foi uma política brasileira, socióloga, filiada ao PSOL. Em 2016, se elegeu vereadora do Rio de Janeiro para a Legislatura 2017-2020, com a quinta maior votação. Defendia o feminismo, os direitos humanos, e criticava a intervenção federal no Rio de Janeiro e a Polícia Militar, tendo denunciado vários casos de abuso de autoridade nas comunidades cariocas. Em 14 de março de 2018, foi assassinada a tiros junto de seu motorista, Anderson Pedro Mathias Gomes, no Estácio, região central do Rio.

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