Neste mês em que o Clube de Assinatura de Livros Infantis está falando sobre empoderamento feminino, preparamos uma lista de doze escritoras brasileiras que fizeram história.
Se quiser aumentar essa lista, deixe o nome de mais escritoras incríveis nos comentários!
Maria Firmina dos Reis (11/03/1822 – 11/11/1917)
A autora é considerada a primeira escritora negra de um romance abolicionista no Brasil e vem ganhando o destaque merecido, já que morreu pobre e invisibilizada pelos mecanismos patriarcais que tanto combateu. Maranhense, Maria Firmina foi redescoberta em meados da década de 1970, tendo seus livros reeditados desde então em várias edições. Seu grande romance, Úrsula (1859), foi uma representação da vida de afro-brasileiros sob a escravidão.
Cora Coralina (20/08/1889 – 10/04/1985)
Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, foi contista, cronista e poetisa. Em 1903 já escrevia poemas sobre seu cotidiano, tendo criado, juntamente com duas amigas, o jornal de poemas femininos “A Rosa”. Embora não tenha se associado a nenhuma escola literária, sua produção carrega elementos da tradição modernista, tais como a preferência por elementos do cotidiano como matéria-prima lírica.
Rachel de Queiroz (17/11/1910 – 04/11/2003)
A primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras e a primeira mulher a receber o Prêmio Camões. Foi também jornalista, tradutora e teatróloga. Nasceu em Fortaleza, Ceará, e após forte militância política no Nordeste, Rachel de Queiroz mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1932. Nesse mesmo ano, lançou o romance “João Miguel” (1932), ainda dentro do enfoque social dos problemas da seca e do coronelismo no Nordeste. Nos anos seguintes, militou no Partido Comunista e em 1937 foi presa por três meses e publicou “O Caminho das Pedras”, onde abordou agitações políticas, métodos de educação e exaltou a participação feminina na vida pública.
Carolina Maria de Jesus (14/03/1914 – 13/02/1977)
Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, Minas Gerais. Negra e de família pobre, sua principal obra, Quarto de despejo, foi traduzida para 13 idiomas. Nela, Carolina narra sua experiência como mulher pobre e negra vivendo nos anos 1950 em São Paulo. É um depoimento único e comovente sobre a dinâmica social urbana sob o ponto de vista dos marginalizados. Faleceu em São Paulo, vítima de insuficiência respiratória.
Clarice Lispector (10/12/1920 – 09/12/1977)
Um dos maiores nomes da literatura brasileira do Século XX. Dona de uma escrita inovadora e com linguagem altamente poética, já no primeiro livro, “Perto do Coração Selvagem” recebeu o Prêmio Graça Aranha. A narrativa quebra a sequência de começo, meio e fim, assim como a ordem cronológica, e funde a prosa à poesia. Em 1967 publicou “O Mistério do Coelhinho Pensante”, seu primeiro livro infantil. “Hora da Estrela”, seu último livro, de 1977, conta a história de Macabéa, uma moça do interior em busca de sobreviver na cidade grande. Sua ficção transcende o tempo e o espaço e os personagens, postos em situações limite, são com frequência femininos.
Lygia Fagundes Telles (19/04/1923)
Autora premiada, com uma escrita elegante, retrata temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo e a loucura. Seus trabalhos mais famosos são As Meninas, Ciranda de Pedra e a coletânea de contos Antes do Baile Verde.
Ruth Rocha (02/03/1931)
Palavras, muitas palavras, seu primeiro livro, foi publicado em 1976 e mudou a cara da literatura escrita para crianças no Brasil. Os pequenos leitores eram tratados com respeito e inteligência, sem lições de moral, numa relação de igual para igual. Depois vieram Marcelo, Marmelo, Martelo , O reizinho mandão, Nicolau tinha uma idéia, entre muitos outros. Em mais de cinquenta anos dedicados à literatura, a escritora tem mais de duzentos títulos publicados e já foi traduzida para vinte e cinco idiomas. Seus textos fazem com que as crianças questionem o mundo e a si mesmas e ensinam os adultos a ouvirem o que elas dizem ou estão tentando dizer.
Hilda Hilst (21/04/1930 – 4/02/2004)
Poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira. É considerada uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. Seus livros e poemas retratam a relação das mulheres com seus desejos e sentimentos. Quebrou imposições sociais da época quando a mulher pouco falava por sua perspectiva.
Lygia Bojunga (26/08/1932)
Com uma produção sempre foi voltada para o público infantil, a autora recebeu em 1982 o Prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante prêmio literário infantil do mundo.
Adélia Prado (13/12/1935)
Com trabalhos que seguem um diferente caminho de processo criativo, Adélia possui um aparente paradoxo entre um catolicismo profundo e espiritual combinado com o físico e o carnal. Está especialmente focada nas preocupações diárias das mulheres. Adélia publicou oito volumes de poesia e sete volumes de prosa, começando com sua primeira coleção de poesia Bagegem.
Ana Maria Machado (24/12/1941)
Carioca, jornalista e escritora, Ana Maria escreveu mais de cem livros para crianças e adultos vendidos em 17 países, pelos quais recebeu os mais importantes prêmios brasileiros e diversas homenagens internacionais, incluindo a medalha internacional Hans Christian Andersen em 2000. Começou a escrever em 1969: “Pertenço àquela geração de escritores que começou a escrever durante a ditadura militar , pois a literatura infantil, ao lado da poesia e dos textos musicais, era uma das poucas formas literárias com as quais, por meio do uso poético e simbólico da linguagem, se podia fazer as ideias de uma joie de vivre , liberdade individual e respeito pelos direitos humanos conhecidos”. Em 1979, ela abriu a primeira livraria infantil do Brasil, a Malasartes.
Maria da Conceição Evaristo de Brito (29/11/1946)
Conceição nasceu em uma comunidade de Belo Horizonte e vem de uma família muito pobre, com nove irmãos e sua mãe. Conciliou os estudos trabalhando como empregada doméstica, até concluir o curso normal, em 1971, já aos 25 anos. Mudou-se então para o Rio de Janeiro, onde passou num concurso público para o magistério e estudou Letras na UFRJ. Estreou na literatura em 1990, com obras publicadas na série Cadernos Negros. É mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, é doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Suas obras, em especial o romance Ponciá Vicêncio, de 2003, abordam temas como a discriminação racial, de gênero e de classe. É militante do movimento negro, com grande participação e atividade em eventos relacionados a militância política social.
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